domingo, setembro 28

4 anos, 4 dias, 4 horas...
O tempo cura tudo enquanto passa, só não passa sempre da mesma maneira.

sexta-feira, agosto 3

Play Dead


Björk
Play Dead


Darling stop confusing me
With your wishful thinking
Hopeful embraces

Don't you understand?

I have to go through this

I belong to here where
No-one cares and no-one loves
No light no air to live in

A place called hate

The city of fear

I play dead
It stops the hurting
I play dead
And the hurt stops

It's sometimes just like sleeping
Curling up inside my private tortures
I nestle into pain

Hug suffering
caress every ache

I play dead,
It stops the hurting

quinta-feira, agosto 2

Não. Claro que não.

Há muito tempo que não me sentia assim...
Atingi um novo fundo. Porque desta vez já me imaginava fora do poço.

Queria escrever o que se passou comigo durante este ano lectivo com melhor detalhe, mas agora não é o momento.

Só posso dizer que o ano lectivo que decorreu, que foi passado em Lisboa, permitiu-me recuperar alguma da paz que tinha em mim, vivi lá alguns dias felizes.
Apesar de nos primeiros tempos ter-me sentido bastante mal, a longo prazo tudo foi acalmando, e cheguei até a ter a ilusão de que algo realmente tinha mudado. Talvez a minha ausência tivesse potenciado alguma reflexão nos meus pais, ou até uma nova forma de ver as coisas.
Eu tentei ver as coisas de forma diferente. Perdoei-os. Ou pelo menos quero-me convencer de que o fiz.
Agora sei que só eu mudei. Mas isso não é suficiente. Não é.
Talvez já o soubesse, afinal, uma parte do que me fez sentir melhor comigo próprio foi aceitar que eles nunca iriam mudar, e que por isso tinha de adoptar estratégias diferentes. E não, não estou a falar da mentira.


Foram meses em que apesar do esforço que fiz para conciliar o primeiro ano de estudos universitários com o facto de viver sozinho num local desconhecido, estando a aprender a amar, realizando frequentemente viagens Porto<->Lisboa, e tentando sempre ter o melhor aproveitamento possível; tinha ganho um novo equilíbrio psicológico de que muito sentia falta.


No entanto duas semanas bastaram desde que estou no Porto todos os dias, em período de férias, para que toda essa construção mental que fiz durante este ano que passou ficasse seriamente danificada.

É muito triste perder a esperança nas pessoas e chegar ao ponto em que já não convivemos com elas, apenas as suportamos. Magoa-me.

Tenho também medo desta minha nova capacidade de converter feridas em ódio.
Não é algo que sirva. Só alimenta o monstro.

Na verdade bastaram dois dias para eu perceber que as coisas não estavam bem.

Nesse segundo dia das minhas “férias” o meu pai (supostamente acidentalmente) pega no meu telemóvel e lê uma (ou talvez mais do que uma) mensagem que o I. me tinha enviado, sem o meu conhecimento. A mensagem continha algo inocente, que quaisquer dois namorados diriam um ao outro. Acontece que no dia seguinte sou confrontado por ele, dizendo-me que devia ter vergonha e dignidade, pois andava a destruir a família e que enquanto vivesse debaixo do seu tecto teria de respeitar as suas regras, e “fazer-me homem”.
Resumidamente: O meu pai não mudou um milímetro.

E os dias foram passando, aliás, nessa mesma hora, mal a conversa terminou, já tudo tinha voltado à “normalidade” na visão do meu pai. Esses momentos nunca ficam gravados na mente dele, afinal:
“Que mal é que eu te fiz?” Nenhum pai, nenhum.

Falarei agora do conceito de férias.
Como o negocio que sustenta a minha família é gerido por nós, toda a gente está envolvida no processo; ou melhor: o meu pai, a minha mãe, e eu. A minha irmã não é para cá chamada porque... Bem, não interessa, nem eu sei.
Então, isto significa que eu afirmar que estou de férias é um insulto. Afinal, os meus pais trabalham exclusivamente para me sustentar, e logo tenho de fazer tudo o que me peçam, e claro, ainda mais importante, o que não me peçam.

E vou fazendo. Às vezes reclamo e faço (50%), outras vezes não reclamo e faço (40%), até existem vezes que não faço (10%).
O que faço? Bem, tudo o que a empresa precisar, desde a tarefa mais mundana, à mais elevada.

Mas tudo bem, eu não me importo de ajudar. Mesmo não tendo sido eu a escolher este projecto de vida, e este negocio, a verdade é que dependo dele. E mesmo ocupando ele as 24 horas da nossa vida familiar, não havendo espaço para mais nada; enfim, que posso eu fazer senão tentar ajudar os meus pais?

O maior problema, na verdade, é não existir um único obrigado, especialmente por parte do meu pai. Afinal, “não faço mais do que a minha obrigação”.

Mas face ao que aconteceu hoje mesmo, tudo isto acaba por ser só o lixo e a merda que entope o cano.
Falta agora que alguém puxe o autoclismo para que tudo venha ao de cima.

E o meu pai puxou-o hoje.

A minha mãe começa a discutir comigo porque não encontra uns papeis de um assunto que eu tinha tratado (estavam na secretaria debaixo de outros que o meu pai tinha posto em cima), e o meu pai, farto dos constantes berros dela, grita e ameaça agredir a minha mãe num acesso de loucura. Não agrediu, nem nunca o fez, mas só a ameaça é grave.

Depois deste acontecimento foram-me ditas várias palavras e frases, daquelas que nos dilaceram bem lá no fundo. A culpa de tudo fora transportada imediatamente para mim.

O meu pai disse que não aguentava mais a minha presença e que eu devia era ir-me embora de casa, que eu “não o conhecia”... e outro tipo de ameaças e de frases para me deitar a baixo.
A minha mãe depois, já na ausência dele, culpa-me de toda esta situação, dizendo que nunca me irá perdoar, e que todos os problemas na minha casa foram causados por mim. (Pela minha homossexualidade, pelo facto de me ter ido embora, por não colaborar com eles, por os ver como meus inimigos...)

Lembro-me de uma vez ter visto um programa sobre pessoas que contavam as suas experiências de quase morte em salas de cirurgia.
Também já tive várias, em casa, e esta é só mais uma no meu registo.

Logo depois de tudo isto, fecho-me no meu quarto a chorar, e ligo para o I..
Precisava de algum alento. Ele conforta-me como pode. Acalmo um pouco.

Nisto chama-me o meu pai normalmente para o ajudar a despejar o lixo.

Afinal, passou-se alguma coisa? Não. Claro que não.

Passo por membros da minha família que estavam na rua, e tento reduzir ao mínimo o contacto para que não reparem na cara miserável que tenho agora. O meu pai fica a conversar com eles, a socializar.

Afinal, passou-se alguma coisa? Não. Claro que não.

sábado, setembro 16

2

There are only two tragedies in life: one is not getting what one wants, and the other is getting it.
(Na vida, existem apenas duas tragédias: uma, não conseguir o que se quer, outra, consegui-lo.)

Oscar Wilde


Não entrei no Porto por 1 ponto. Entrei em todas as restantes opções.
Não faço ideia de como vai ser a minha vida daqui para a frente. Mas também, é ilusão pensar que alguma vez soube...

domingo, maio 14

Milagre

A oportunidade do I. vir ter comigo, surgiu graças a um amigo dele (o A.), com o qual ele tem uma relação muito semelhante com a que eu tenho com o C..

Eles tinham marcada uma acção de formação cá no Porto, e portanto, assim que esta terminasse, o A. estava disposto a trazer o I. ao meu encontro.
Assim poderíamos ficar algum tempo, pela primeira vez, juntos.

Fiquei radiante quando esta possibilidade se criou. Apesar de todas as inseguranças sobre o que poderia resultar deste encontro, eu queria transferir todo o amor que tenho pelo I., para o domínio real (por uma questão de entendimento, fica dito desta forma, pois sempre foram bem reais os meus sentimentos em relação ao I.).

No entanto, não haviam horas delineadas. Eles não saberiam a que horas terminaria a palestra, e portanto, só me podiam dar uma hora hipotética.
Sabia apenas onde nos íamos encontrar, num shopping que o amigo do I. escolheu, e que não teríamos muito tempo para nós, pois eles ainda teriam de fazer a viagem de regresso, logo, todo o tempo que houvesse, teria de ser aproveitado ao máximo.

É grande o silêncio,
Aguardo o milagre,


Deito-me.
Preciso descansar para me sentir bem, e estar com bom aspecto amanhã.
O sono não vem, várias imaginações não me deixam relaxar.
Pronto, consigo adormecer, finalmente.

Acordo cedo. Hoje, depois do habitual material escolar, a minha mochila recebe uma t-shirt, gel, escova de dentes, perfume... Vou buscar também uma fita de embrulhar presentes ( o I. faz anos Sábado, tenho de me embrulhar), algum dinheiro, uma revista (sobre alguns dos melhores locais a visitar no Porto), e um mapa.

Quando me perco em preparações, ocasionalmente, posso ficar com a agradável falsa sensação de que tudo vai correr como planeado, e da melhor forma. Fico mais calmo. Portanto, faço-o.

Corto a barba e tomo banho.

Antes de sair, digo à minha mãe rapidamente, e em cima da hora (para evitar perguntas), que vou passar a tarde com a L., e que não sei a que horas volto.

A única objecção, é o facto de eu ter de faltar a uma aula para “estar com ela”.
Mas, como não é uma aula muito importante, (não é específica) a objecção não passou de um aviso.

Apesar de, para mim, esta mentira trazer muitas objecções. Como todas.
De qualquer forma, o passado mostrou que não poderia arriscar. Poria de novo em cheque o encontro.

Vou para as aulas. Estas decorrem normalmente, apesar de, às vezes, a minha mente se perder na imagem dele e do nosso encontro. Imagens que insisto em criar. Com muito esforço, deixo de pensar no que virá mais tarde, e concentro-me na matéria.

Assim que as aulas terminam, vou directo para a cantina almoçar. Não demoro muito, e sigo para a biblioteca.
Para passar o tempo, leio um pouco, e depois, ao sentir que ficava cada vez mais nervoso, vou para um dos computadores disponíveis e escrevo o post anterior.

Penso até que horas devo ficar na escola. Se vou ou não à aula.
Decido não arriscar. São 15:00 e abandono as instalações da escola.
A possibilidade de ficar horas à espera do I., é melhor do que ele e o amigo ficarem à minha, e consequentemente, o nosso tempo disponível se reduzir.

Vou ao ginásio, apenas para me poder arranjar. Troco de t-shirt, lavo os dentes, e arranjo o cabelo.

Sigo agora para o shopping. No caminho, compro a revista CAIS, e ajudo um casal de turistas, dando-lhes indicações, e mostrando-lhes a revista que levava para o I. ver.

Chego.
Primeiramente dirijo-me à praça de táxis, e pergunto quanto tempo demora a viagem até uma praia que o C. me tinha recomendado.
“Uns 10 minutos.”

Agora é só esperar. E eu detesto esperar.

Vagueio pelo shopping.
Leio a CAIS. Até ao fim.
Leio mais algumas páginas de um outro livro que levava comigo.
Procuro o caminho mais rápido do ponto de encontro até à praça de táxis.
Entro numa livraria e leio.
Al Berto faz-me pela primeira vez companhia. Li-o do inicio ao fim. O tempo assim o permitiu.

São 19:10.
O I. liga-me, está no shopping.

Levanto-me, e procuro a sua imagem.

A minha imagem.

chegas amor, finalmente,
Ó meu amor, mesmo tarde;


Quando o vejo, ao lado do amigo, e se aproxima de mim, sinto um misto de expectativa, novidade, alegria, receio...

E estava eu, frente a frente ao meu objecto de desejo de tanto tempo.
Tinha desejado tanto este momento, que aconteceu.

Olho-o. Algo que antes parecia tão impossível era simples, e ele estava ali.
Ele estava ali.

A imagem interior que tinha criado, entrava agora em choque com real. Ele parecia diferente. Claro que ele ia ser diferente.
Foi tão absurdo só ter pensado que eu era o único que poderia ser diferente. Que ele seria exactamente igual aquilo que eu imaginava. E por isso sinto-me estranho.

Assim que me apercebo disso, começo a reconstruir o I. real, como aquele que eu tinha construído para mim.
Foi o desafio deste encontro. Transferir o amor que tinha pelo I..
O das fotos que me faziam sorrir.
O das palavras que me enterneciam.
O da voz que me envolvia.

Para o I. que estava à minha frente.

Que era o mesmo. O I. que eu sempre conheci.

Estendo a mão e cumprimento-o. Estava tão nervoso que não soube medir a força do aperto de mão, e penso que fui bruto. De seguida, cumprimento o amigo, agora com a consciência da força que é natural usar.

Recomendo um sitio para nos sentarmos, o A. sugere um outro.

Enquanto nos deslocávamos até lá, o I., disfarçadamente, mia-me ao ouvido.

A voz também era ligeiramente diferente daquilo a que estava habituado. O que era de prever.
O resultado foi eu não sentir com a intensidade que ele queria, aquele gesto carinhoso e familiar, que tinha o objectivo de me deixar mais à vontade e me lembrar que ele é o meu gatinho.

Mas sabia que poderia ultrapassar toda essa novidade inicial. E que isso seria bem mais fácil, se estivesse em algum local que oferecesse privacidade.

Chegamos ao sitio local escolhido pelo A., que nos diz que infelizmente o nosso primeiro contacto tem de ser assim, pois as pessoas são parvas, e que talvez pretendêssemos ir até algum sitio onde pudéssemos estar mais à vontade.

Acertou!

Numa situação normal, teria ficado relutante em o deixar sozinho, mas, esta não era uma situação normal: Era o meu primeiro encontro, com a pessoa a quem tenho dedicado os últimos anos da minha vida, durante todos os dias.

Resultado, não ficamos mais do que dois minutos lá, e fomos os dois ter com o táxi que nos havia de levar à praia.

Sentamo-nos os dois atrás, separados pelo acento central.
Começamos a falar de banalidades: da viagem, do nosso dia até aquela altura, e de outros assuntos.
Lembro-me da revista que tinha levado, tiro-a da mochila e entrego-lha.
Ele pousa-a nas pernas.
Com uma mão seguro as páginas, e com outra desfolho a revista.
Debaixo das páginas, sinto a mão dele junto à minha.
Instintivamente, os nossos dedos juntam-se numa carícia mutua.

O tempo para debaixo daquelas páginas.

Foi aí, nessa cumplicidade, que voltei a sentir o sentimento forte que ficou sobre os restos da fantasia que tinha criado à volta do aspecto dele.

E vou livremente,
contigo a meu lado,


Chegamos à praia.
Caminhamos juntos até a uma duna que nos dava alguma privacidade. Mesmo em frente ao mar.

A praia estava deserta, mas vultos passavam no passeio, lá ao longe.

Pouso a mochila, e deito-me na areia.
O I. senta-se a meu lado.
Ponho a mão sobre o peito dele, e faço um pouco de pressão para que se deite.
Ele cede lentamente.
Tenho-o deitado de barriga para cima, e ponho-me de lado, para que possa olhar o meu anjo. Mantenho a mão no seu peito.
Sinto algo que nunca tinha sentido, o calor que emana dele, sinto-o na minha mão.
Acalma-me.
A camisola suave, desenha o seu peito e abdómen à medida que desço e subo a mão.
Deito a minha cabeça no peito dele, e abraço-o.
Sinto o seu cheiro.

Agora tremo menos, estou lentamente a conseguir esquecer o meu nervosismo e as pessoas que vão passando lá ao fundo.

Passas as mãos pelos meus lábios, dizes que agora são teus...

Beijas-me suavemente.

Fico com o teu sabor, o sabor do amor, o sabor do meu primeiro beijo.

Aproximo-me mais de ti, agora, tenho uma perna sobre ti.
Abraço-te mais forte.

Beijo-te de novo: a boca, o pescoço, a cara, a orelha, a tua mão. Dedo por dedo. Quero que sintas o quão especial és.

Navego pelos teus cabelos, sinto-me como um barco, em pleno oceano.
Com tanto para descobrir.

Ouves o mar ?

Passo a minha cara pela tua, sinto a tua barba.
Sinto-te.

Agora já posso cuidar de ti.

Volto aos teus lábios, passo a língua, e sou arrastado.

Como aquela onda ali.

Para um beijo muito mais intenso, que me envolve.

tenho o meu mundo contente,
neste sonhar acordado.


Rodas, e vens para cima de mim. Sinto-te agora sobre mim.
As tuas pernas, as minhas pernas, o teu corpo, o meu corpo, já não sei.
Abraço-te forte, e continuo a acariciar o teu cabelo.
A tua língua, a minha língua, os meus lábios, os teus lábios, já não sei.
O teu calor envolve-me.
Roças-te sobre mim, beijas-me, mias-me ao ouvido. Não resisto.
Fecho os olhos, deito a cabeça para trás, e oiço o mar, estremeço ao ouvir-te.

Queres namorar comigo?

Sim.

- Onde está a tua voz, quero ouvir a tua voz...
- Onde está a tua voz, queria ouvir a tua voz...


Posso ouvir o teu coração?

Podes meu amor.

A tua cabeça desce até ao meu peito. Encostas o ouvido.

Fica lá. Eu continuo a passar a mão pelos teus cabelos, meu bebé.

Sobes de novo, agora posso olhar para ti. Ver a tua cara.
Sabes, quero absorver tudo e descubro que não consigo absorver nada.

És imenso.

Após um beijo, já não me lembro de todas as cores que os teus olhos podem ter.
Eu tento, mas depois vem um outro beijo, e eu já não sei.

Vou ter tempo para descobrir.

Atrevo-me. Passo as mãos pela tua pele, pelas tuas costas. Por onde o meu desejo pede.
Só para te sentir.

É paz. É mar. É um sentimento que não consigo explicar. Este de te querer e te ter. Felicidade.
É isso, felicidade.

Já viste como estamos longe da minha mochila?
Rodamos então um sobre o outro, abraçados.

Duas voltas.
Eu em cima de ti.
Tu em cima de mim.

Limpo a areia que ficou na tua cara.
Não há nada mais a limpar aqui. Só areia. O resto é cristalino de tão limpo.

Temos de ir.

Levantamo-nos. Sentas-te numa pedra.
Vou para o teu colo e abraço-te novamente.
Não te consigo largar.
É tão bom abraçar-te.

Vamos então.

Abraças-me por trás. Fico preocupado que nos vejam, e desta vez não me entrego.

Vá, vamos, não tornes isto mais difícil. Vão haver muitas mais oportunidades.
Eu vou para junto de ti.

Voltamos ao táxi. Ele de certeza que nos viu, mas não disse nada.

Chegamos. O teu amigo já estava preocupado com a nossa demora.

Foi apenas uma hora.
E eu esperei anos.

Falamos mais um pouco.
Encosto a minha perna à tua. Percebes, e sinto que fazes pressão.

Há pouco estavam entrelaçadas. Porque é que se soltaram?

Os que nos tentam separar não vão conseguir.

A despedida impõe-se.

Digo-te:

Até já.

Tem de ser um até já.

Volto para casa. No caminho, retiro a areia que está em toda a parte.
Sinto o teu cheiro nas minhas roupas.
Não sou mais eu.

Eu e tu, tu e eu.

Nós.

O desejo pretende,
louvar a saudade,
A tua voz anda ausente,
e eu estar contigo é milagre.


PS: A negrito está a música Milagre dos Madredeus.

quinta-feira, maio 11

Countdown

Continuo assim... Há coisas que simplesmente não mudam.
Agora, estou na escola a escrever este post, o nervosismo é tanto que tinha de descarregar em algum sítio.

Mas vai correr tudo bem, eu sei que vai correr tudo bem, tem de correr tudo bem.
Ele vai gostar de mim, eu sei que ele vai gostar de mim, ele tem de gostar de mim, ele já gosta de mim.
Vamos poder estar à vontade, sozinhos por uns momentos, isso tem de acontecer, isso pode acontecer, isso deve acontecer. Espero que aconteça.

Já só faltam umas horas... Eu vou ter com ele, ele vem ter comigo.

Eu e tu, tu e eu, nós, eu e ele.

Turbilhão de sensações, noite mal dormida, esperança, querer que tudo resulte.
Tem de resultar, tem resultado.
Quero que resulte. Vou fazer com que resulte.

Acho que tudo isto vai passar assim que o vir. Espero que passe.

PS: Lembrei-me desta parte de uma música: "1, 2, 3, vou nascer outra vez." O que vai acontecer, penso eu, é um pouco isso. Vou nascer de novo. Também me lembrei de uma outra parte, de uma outra música: "I'm ready for love..."

quarta-feira, maio 10

Encontrar... o amor.

Na altura estava desiludido. O fishkid tinha dito que não conseguia continuar o que havia entre nós.

E estava no seu direito. Ninguém pertence a ninguém, e o amor não deve ser uma prisão.
Mas isto é uma opinião pragmática e lógica, que requer o distanciamento que só agora tenho. Recordo-me que na altura fiquei magoado.
A primeira pessoa por quem tinha sentido algo mais forte, não me queria mais.

Mas acabei por compreender e aceitar. Eu não lhe podia dar o tipo de relação que ele procurava no imediato.
Pedia-lhe que esperasse por mim. E a realidade é que ele tinha mesmo de esperar por mim, anos. O que obviamente nem todos conseguem (não porque são mais fracos ou piores pessoas, simplesmente não conseguem).

E eu nada poderia fazer. Só tinha de aceitar as coisas como elas eram.

E foi o que fiz. No inicio, fiquei mal, mas tudo passa, e algum tempo depois, decidi que a solução passava por procurar um novo alguém.

E então, liguei-me ao IRC, o que fiz menos de cinco vezes na minha vida.
Durante esse dia, falei com imensas pessoas, e todas tão diferentes que isso seria tema para um outro post.

Felizmente, acabei por encontrar a pessoa que procurava. O I..

Quando cliquei em mais um nick, não imaginava que ia encontrar “o tal”.

Na nossa primeira conversa, as palavras fluíam.

Um dos “testes”, a que submeti todos com quem falei, consistia em sondar se conseguiam manter uma conversa comigo, sem saberem o meu aspecto físico. A maioria, assim que dizia que não tinha foto, deixava de falar comigo.
E ainda bem.

Com o I. foi diferente. Aliás, com o meu amor, tudo foi diferente.

(...)

I.- “Como és?”
Eu – Sou a coisa mais feia que possas ver lol
Eu - Até dá medo de olhar
I. - “Ohhhh, n digas isso, tem a ver com o estado de espírito”
Eu.- “Assim n ficas interessado com o meu corpo, só pela minha pessoa :P”

Um pouco idiota ter referido as minhas intenções com a resposta anterior, mas de qualquer forma, a resposta dele já tinha passado no meu pseudo teste.

I. – “preferes então não fazer referencias ao corpo?”
Eu - sim
I. - “...ta bem, respeito a tua vontade”

(...)

Ele merecia ser conhecido. Eu sentia que sim.
Por isso, depois da conversa se ter desenvolvido mais um pouco, sugeri que ele me adicionasse ao messenger.

O interesse por ele já era grande, como já referi. Mas, estaria a mentir se dissesse que quando vi a foto dele, este interesse não aumentou. A verdade é que fiquei hipnotizado a olhar para a foto.
Também achei por bem, mostrar a minha, visto que ele o tinha feito.
A reacção dele não deve ter sido tão exagerada como a minha, mas também sinto que foi boa. Se não o fosse, seriamos apenas bons amigos.

E hoje somos isso, e muito mais.

Mas voltando aquele dia feliz: o mais importante, foi o facto da conversa ter continuado solta, interessante e envolvente, exactamente da forma que estava a decorrer antes.

Passado algum tempo, acabamos por trocar números de telemóvel, e continuamos a comunicarmo-nos com regularidade pelo messenger.

Até que um dia, o visor do telemóvel mostra o seu nome.
Não estava mesmo à espera da chamada, e portanto, o factor surpresa aliou-se a um nervosismo grande o que se reflectiu numa postura mais ou menos distante e de defesa.

Não me recordo do que ele disse ou do que falamos. Só me lembro de que as defesas que tinha criado e o nervosismo que sentia... desapareceram.
Rendi-me completamente a ele.

E ainda bem.

A partir daí, passamos a comunicar cada vez mais regularmente pelo telemóvel, continuando o contacto também online, e algo em nós começou a crescer.

Amor. Como eu nunca tinha sentido por ninguém.

Não um amor como aquele que eu tinha sentido pelo fishkid. Algo muito mais forte. Bem mais forte. Um amor que foi crescendo progressivamente, e por isso solidamente.

Mas as limitações eram as mesmas. De novo, pedia que esperassem por mim. Pedia uma prova de amor imensa.

Passaram-se menos de dois meses, e a nossa relação estava a evoluir de uma forma tão alucinante, que quando o meu pai me perguntou se queria ir com ele a Lisboa, lembrei-me logo do I., e assim que pude, estava a combinar um encontro com ele.
Tinha de ir ter com ele, nem que fosse por momentos.

Como sabem, nessa noite, todos os fantasmas começaram a assombrar-me.
E se não desse certo? E se o meu pai descobrisse ao me ver com ele? E se... E se...
Decidi que não queria que os meus pais tomassem conhecimento da minha sexualidade por outra forma que não pelas minhas próprias palavras.
E então, depois de horas de desespero, acabei por originar meses...

O encontro, como sabem, foi imediatamente cancelado.

E entretanto, passou-se mais do que um ano e meio.

E ele não me deixou. Ele esteve sempre do meu lado. A dar-me a paz que nalguns dias era a única que tinha. Ele nunca me negou o amor. Ele nunca me culpou de não lhe poder dar uma relação com tudo o que ele merece.
É muito difícil amar o corpo que nunca tivemos, ou o perfume que nunca cheiramos.
Eu sei como é difícil, ele sabe como é difícil.

Tão difícil, que a dor, de tão forte, me conseguiu pôr a chorar por várias vezes.
Cada vez que o ouvia dizer que precisava de mim, sentia uma satisfação de ter o amor dele tão ingrata. Ficava tão feliz por ser amado da forma tão forte que ele me ama, mas as lágrimas denunciavam a dor que a nossa realidade causava.

Mas ele esteve sempre lá. Não definhou, não desistiu. Mesmo quando fiquei meses sem falar com ele, porque não tinha telemóvel.

Ele podia ter-me deixado. Escolheu ficar comigo e apoiar-me.

Sempre.

Mas quando eu pedi para que ele esperasse por mim, pedi que esperasse só o tempo suficiente. Para ele, e para mim.

E esse tempo terminou.

Amanhã, vou estar pela primeira vez com o I..

Serão apenas por algumas horas, se tanto. Mas, se soubessem como eu desejei durante todos estes dias só poder abraçá-lo. Dizer-lhe o quanto o amo olhos nos olhos, saberiam o valor de cada minuto na sua companhia.

E eu pretendo fazer com que esses minutos tenham o valor que devem ter.

...
PS: Este post não está por sombras à altura daquilo que eu queria escrever sobre os sentimentos que tenho pelo I..

É muito difícil escrever sobre alguém que se ama tanto. As palavras tem de ser as mais doces. E o tempo disponível tem de ser muito mais do que aquele que tenho.

domingo, maio 7

A consulta... III

A proposta parecia simples:
Adicioná-lo ao messenger, caso quisesse continuar a conversar com ele.

De qualquer forma, conversar informalmente com o meu médico de família (que tinha acabado de conhecer), era uma possibilidade que se tinha criado, mas de que não estava à espera.

Meditei um pouco, até que o resolvi adicionar. Afinal, se a conversa que tinha tido com ele na consulta me tinha ajudado, porque não continuar? Não tinha nada a perder.

Adiciono-o, e algum tempo depois, ele fica online.
Inicio eu a conversa.

- Boa Noite.
“Olá.”
- Visto que me deu o seu e-mail, e disse que o podia adicionar ao messenger para falar consigo, resolvi fazê-lo.
“Fizeste muito bem.”
- De qualquer forma, acho que só vale a pena, se pudermos falar informalmente, como amigos...
“Tudo bem, a ideia era essa.”

...

Ficamos por umas horas a conversar, nessas horas de palavras que se foram multiplicando, o “tu” passou a ser normal, o conhecimento sobre a pessoa aprofundava-se, e a certeza de que tinha sido uma boa decisão o ter adicionado, solidificava.
Tinha ganho um novo amigo. Já não era o Dr. C., mas o C..

De qualquer forma, não seria numas horas de conversa que ia conhecer a pessoa com quem estava a falar. As pessoas não se esgotam em horas.
E ainda bem.

Mas é curioso, estava a sentir algo que só sinto quando se dão transformações grandes na minha vida. A sensação de que:

Se é muito bom, como é que pôde acontecer? (Espero que seja verdade.)
Se é muito mau, espero que isto não esteja a acontecer! (Tem de ser um pesadelo que vai terminar assim que acorde.)

Uma dúvida da própria realidade, quer pelo lado positivo, quer pelo lado negativo.

Dois exemplos:

Nos meses que se seguiram a ter contado aos meus pais que era homossexual, certas vezes, duvidava de que eles realmente o soubessem. Duvidava da existência daquela noite em que me abri com o meu pai.

Um outro exemplo, é o I..
Quando ele se apaixonou por mim, eu pensava: Como é que um rapaz tão perfeito me ama de uma maneira tão forte? Foi como pedir o príncipe encantado, na hora, e ninguém me dizer que ele não existia ou que estava esgotado. :) O rapaz que eu queria, gostava de mim! Era completamente correspondido.

O amargo e o doce da vida, é descobrir que tudo isto é realmente verdade. Não se podem negar factos.

De igual modo, com o C., estava a sentir algo tão bom que parecia mentira.
Alguém que me podia realmente ajudar, estava disponível, tinha essa vontade, e dispunha-se, de forma desinteressada, a ser meu verdadeiro amigo (os verdadeiros amigos são sempre desinteressados).

Toda a situação, parecia tão improvável como gratificante.

O meu médico de família, com quase o dobro da minha idade, heterossexual, completamente despreconceituoso e sem qualquer tabu, amigo da minha família, e muitas mais características não comuns, tornavam uma relação de amizade franca e aberta como a nossa, uma sorte imensa para mim. (E sempre fiz votos que também para ele.)

A nova relação de amizade crescia também pessoalmente, as nossas conversas, por duas vezes, continuaram no próprio centro de saúde. No fim do seu horário, ia ter com ele, e conversava com o meu novo amigo. E ele ouvia o meu coração.

Desta vez, sem usar o estetoscópio.

Continua...

quarta-feira, maio 3

A hora de não abrir e de fechar.

Precisava de ir buscar umas fotocópias, e portanto, dirigi-me à reprografia da minha escola.
Fui lá por duas vezes, na primeira, a porta estava fechada, fui-me embora. Na segunda, a porta estava fechada de novo, mas desta vez, uma funcionária disse-me que poderia entrar, pois a responsável pela reprografia estava lá dentro.

Eram 12:00, a hora a que encerra. Entrei então com mais dois amigos meus, e fomos recebidos com uma frase muito cordial:

“Vocês não sabem que a porta estava fechada? Isto já fechou!”

- Sim, mas uma colega sua disse-nos que ainda estava cá dentro, e só viemos buscar umas fotocópias que já tirou.

“Mas a porta estava fechada. Já são 12:01h, e se virem o horário lá fora, a reprografia já fechou.”

- Mas sabe, se virmos o horário lá fora, às 9:15 a reprografia também deveria estar aberta, e nunca está.

“Mas isto não tem hora de abrir!”

Esta, para mim, foi a frase do dia.

domingo, abril 30

A consulta... II

Sou homossexual e tenho namorado...

“Eu já esperava essa revelação. Tinha desconfiado da tua hesitação quando te perguntei se namoravas. A tua calma e silêncio, quando falei sobre diferentes orientações sexuais, também mostrou uma aceitação que não é muito comum, frequentemente, os jovens heterossexuais intervém e referem que não são homossexuais.”

...

“Como se chama o teu namorado?”

O meu namorado é o I., conhecemo-nos há bastante tempo, mas ainda não pudemos estar juntos. Ele é de Lisboa, e para além disso, o facto de há algum tempo ter revelado a minha orientação sexual aos meus pais, teve as suas consequências. Essas consequências, somadas a outros factores, tem tornando um encontro difícil.

Voltando aos meus pais. Eles não reagiram muito bem quando me abri com eles. No inicio, fiquei sem internet e telemóvel, levaram-me também a um psiquiatra. As coisas foram melhorando um pouco, deixaram de ser tão activos na censura da minha homossexualidade, mas tomaram acções que tornaram bem claro que nunca aceitariam a minha orientação sexual.

“Isso que me contas é bastante comum. Ainda mais, em famílias conservadoras como a tua. Muito sinceramente, eles nunca vão aceitar. A situação que vives poderá melhorar em alguns aspectos, mas aceitação completa não me parece que algum dia haverá.”

O I. deu-me muito apoio nessa altura, bem como a minha melhor amiga, a L., que é a única pessoa heterossexual, fora da minha família nuclear, que conhece a minha orientação sexual.

“Eu notei que ele era boa pessoa porque é visível que o amas muito. Quando falas-te pela primeira vez nele eu reparei na mudança que se deu na tua expressão e na forma como falavas.”

...

O diálogo fluiu. Falei-lhe um pouco da minha actual situação, e daquilo que tinha sentido no passado, como me sentia no presente, e o que queria tentar fazer do meu futuro.

A abertura era enorme. Tinha um bom ouvinte, e alguém que não me julgava.
Mais importante, o Dr. conhecia os dois lados: a sociedade, preconceituosa e fechada sobre si própria, e a opinião cientifica, evolutiva e verdadeira.

Uma pessoa que não julga, mas que sabe que julgam.

“Quanto aos teus pais, se quiseres, podemos marcar uma consulta, com eles presentes. Conversava-mos todos, e eu tentava ajudar-te. Tenho a convicção de que um diálogo com toda a família ia ajudar bastante.”

Não Dr., obrigado, as coisas já estão bastante complicadas. Não iriam reagir muito bem. Se eles soubessem que eu contei ao Dr. que sou homossexual não iam mesmo gostar nada. E muito sinceramente, não quero mais problemas.

“Tudo bem, não quero forçar nada, tu conheces os teus pais melhor do que eu. Mas pensa na proposta que te fiz, deixar que as coisas continuem como estão também não é nada benéfico para ti.”

A consulta prolongou-se muito para alem dos 15 minutos normais. No final:

“É muito raro eu dar o meu contacto pessoal a um paciente meu. Pode-se dizer que vais ser um caso de discriminação positiva.
Aqui tens o meu e-mail, se quiseres falar, sobre o que quer que seja, adiciona o meu e-mail ao teu messenger.”


Saí da consulta mais leve. O meu médico de família, heterossexual, parecia-me alguém sem o mínimo problema com o facto de eu ser homossexual. Alguém que me podia ajudar a ver as coisas de outra forma, e possivelmente, no futuro, ajudar-me a reduzir os atritos que foram criados entre mim e a minha família.

O gesto de me ter dado o seu contacto deixou-me um pouco apreensivo, não num sentido negativo, sabia que tinha sido um gesto altruísta. Mas no sentido de não saber se estaria a proceder bem ao adicioná-lo ao meu messenger. Estaria a tomar o seu tempo, e a invadir a sua esfera pessoal?

Fiquei a pensar se o adicionava, até que tomei uma decisão.

Continua...

sábado, abril 22

Flash me

Como eliminar um vírus de um flash disk:

1- Esqueça-se dele no bolso das calças que pôs a lavar;

2- Ponha-o na máquina de lavar roupa com:

  • Detergente - qualquer um serve, desde que recomendado pelas principais marcas de flash disk's;

  • Amaciador - para que deixe de ser um chip rígido, ficando mais macio e com um cheiro agradável;

  • Temperatura da água a 50º C - para eliminar de vez qualquer vírus informático;

  • Centrifugue-o a 1400 rpm para retirar a maioria da sua informação;


3- Seque finalmente na máquina de secar a temperatura elevada.
4- Aperceba-se que realmente fez isto ao seu flash disk que lhe custou 55€.
5- Ligue o flash disk ao seu computador - mas, por favor, não pense que pode originar um curto circuito e queimar a motherboard.

6... Pasme-se: Não queimou, funciona, e a informação está toda lá.

:)

PS: Por falar em sistemas de armazenamento de dados, esta animação, para quem interessar, explica o funcionamento dos novos discos rígidos perpendiculares de uma forma muito engraçada.
PS2: O meu flash disk, agora mais lavadinho, é este.

sexta-feira, abril 21

RIP Masalladelpecado

Comecei a ler este blog desde a sua génese.

A bonita história de amor vivida pelo seu escritor, e companheiro - a quem queria prestar última homenagem - estava a ser contada da forma mais bela e digna.
Um gesto profundo de carinho e de amor estava a ser consagrado nos posts que lá foram escritos.

Uma lição de vida. De busca de felicidade, que nos anos em que viveu com Pablo, Miguel, parece ter encontrado.

Quando li o último post, fiquei perturbado como nunca imaginaria que ficasse.

O seu escritor retornou à terra, e ao seu amor.

O que senti, foi tão inesperado, como forte.

Foi sentir uma perda.

Sentir que alguém de grande valor abandonou a vida.
Que nunca ia poder conhecer verdadeiramente essa pessoa, conhecer melhor as suas vivências, e aprender.


E depois, existem as ligações que se criam. É impossível alguém não se envolver com uma pessoa que partilha connosco uma das partes mais significativas da sua vida.

Depois, leio os comentários recentes que simpaticamente deixou no meu blog, e ainda me sinto mais próximo dele.

É como conhecer um novo amigo, e de repente... ele morrer.

Fiquei triste com esta noticia.

terça-feira, abril 18

O espelho

Há algum tempo, estive numa exposição.
Um dos objectos expostos era um simples vidro rectangular pousado no chão.

As sensações foram várias:

No inicio, ao olhar para ele, tinha a sensação de ver um fosso vertiginoso. O medo inicial fazia com que me afasta-se. Não queria cair naquele infindável fosso.

Depois, a curiosidade aproximava-me dele. O que era aquilo realmente? O que significava? O que provocava aquela sensação de desconforto e de atracção? Em suma, o que era?

O tempo e a observação desmistificou. Era um simples espelho.

Hoje, algum tempo depois de ter visto esse espelho, percebi finalmente.

Naquele fosso, naquele abismo, estava o céu, e estava eu. O espelho só reflectia o que estava à minha volta, e eu mesmo.
Mas era tão estranho e desconhecido.
Levou tempo a entender que era um simples espelho.
Levou tempo a entender que era simples.
Que era só eu...complexo.

segunda-feira, abril 17

Learn

Lamb
Learn


Are you feeling lost and lonely ?
You needn't be
Like you've lost all hope and your sanity
Oh you needn't be
If we only have one turn
In this life we have to learn
Carrying the world on your shoulders
You needn't be
Ever more as you get older
You needn't be, oh you needn't be
If we only have one turn
In this life we have to learn
We wish our lives away
Hoping for a better day
The future's miles away

And what is past is done and gone
If we only have one turn
In this life we have to learn

sábado, abril 15

A consulta... I

Desde os meus seis anos, costumava consultar anualmente um médico, para fazer um check-up e para que fosse acompanhado o meu processo de crescimento.
Era um médico privado, que fazia parte da rede do seguro de saúde que os meus pais têm.
Notem o “fazia”, actualmente, não faz.
Então, visto que os meus pais estavam a pagar um seguro de saúde, a alternativa seria escolher um outro médico de clínica geral, pertencente à rede de prestadores de serviço, para me acompanhar.

Como me sentia fisicamente bem, durante dois anos não fui ao médico. No entanto, achei que deveria marcar uma consulta. Optei então por marcar uma no centro de saúde da minha zona.

Chegado o dia, após ter passado o muito tempo normal de espera, saio mais cedo das aulas, e vou sozinho – um pouco contra a vontade da minha mãe que me queria acompanhar – à consulta.
Vou meio expectante, pois ainda não conheço o meu novo médico de família, que substituiu recentemente a anterior médica que fez parte da minha infância.

Já na sala de espera, vejo uma bata branca sorridente :), era o meu novo médico. O Dr. C.

A minha consulta era a última, e então, após algum tempo à espera, que foi útil para ler os restantes capítulos do Memorial do Convento, chega a minha vez.

Entro no consultório, e o Dr. C. começa a ver o meu processo, a certa altura diz-me:

“Ah! Já sei quem tu és!”

- Não, conhece os meus pais, e a minha família, mas não me conhece a mim.

“Mas vou ficar a conhecer.”

E foi o que tentou fazer. Começou a fazer várias perguntas, a maioria a nível clínico e algumas mais pessoais, entre elas:

“Namoras?”

Tento decidir-me por um sim ou por um não.
Lembro-me automaticamente do I.
Tento imaginar como irá reagir o médico ao entender que é um homem.
Não sei, não o conheço. Mas o risco de dizer algo é alto, mesmo sabendo que as consultas são confidenciais, o médico contacta com a minha família.
Não posso criar mais problemas para mim.
E depois, ainda há o tipo de relação que tenho com o I..
Sei que não é claro na cabeça de muita gente. A maioria das pessoas não entende um amor que vive com as nossas condicionantes. É difícil imaginar um amor feito de esperança e de sentimentos fortes apenas...

- Não, não namoro.

O exame físico prossegue. Assim que termina, o Dr. C. pergunta-me se já tive uma consulta onde se fala sobre sexualidade e sobre doenças sexualmente transmissíveis.
Respondo que não.

Resposta suficiente para tornar claro que chegou a altura dessa conversa se dar.

O Dr. começa o seu discurso. Menciona que nas consultas de saúde dos jovens é importante falar-se sobre sexualidade, e sobre os cuidados a ter durante relações sexuais. Assim, conseguem-se criar relações saudáveis e evitar-se doenças.
Referiu também, que esta conversa é importante e válida, independentemente da orientação sexual do jovem, quer seja ela heterossexual, homossexual ou bissexual.
Deu também a entender que se deve ser franco no dialogo, e naquilo que se queira revelar, para que seja possível esclarecer o mais possível o adolescente.

Senti que havia abertura com estas palavras.
Talvez fosse positivo para mim falar sobre a minha sexualidade, sem esconder nada.
Afinal, não estava eu numa consulta que tinha esse objectivo?
Não foi isso a que se propôs o Dr.?

De qualquer forma, o medo de que fosse apenas um discurso do tipo “Politicamente Correcto”. O medo de que a pessoa atrás das palavras não tivesse preparada para o que me propunha partilhar com ela. O fantasma que pairava dos meus pais que me pediam segredo a todo o custo. A agravante de saber que era fácil o Dr. entrar em contacto com eles, ou com qualquer outro membro da minha família...

Tudo isso passou-me pela cabeça.
Mas agarrei-me ao seu sigilo profissional. Ele não o poderia quebrar. Ele não o poderia quebrar...

- Já que põe as coisas dessa forma. Eu há pouco menti...

Continua....

quinta-feira, abril 13

Bad Apple ... Good Apple

Posso ter azar, mas não sempre.
Aliás, às vezes até sou recompensado. Como nesta situação:

Boa Tarde,

Venho por este meio pedir a resolução definitiva da desagradável situação a que tenho sido sujeito.

No ano de 2003, ao tomar conhecimento dos vossos produtos, apresentados como uma solução fiável e superior à concorrência, compro um iBook.

Desde então, desencadeou-se um historial de sucessivos problemas de hardware, que me tem privado de utilizar a minha ferramenta de trabalho por longos períodos de tempo, com óbvios prejuízos para o meu trabalho.

O meu historial é o seguinte:

O computador que adquiri teve sucessivos problemas com a placa lógica, um defeito reconhecido pela vossa empresa.
As reparações duravam meses, e assim que o computador voltava, não passado muito tempo, a avaria repetia-se.

Entretanto, visto ter sido bastante prejudicado, facultaram-me um novo computador, como é de meu direito.

A segunda máquina que tive, também um iBook, continuava a fazer parte da série de máquinas afectadas pelo defeito presente na placa lógica, e não tardou a avariar.

Novas reparações, tinham o mesmo resultado das já feitas à máquina anterior, ou seja, apenas mantinham o computador a funcionar por pouco tempo.

Sendo assim, foi-me cedida nova máquina de substituição, um iBook G4.

Visto ser este, à data, o último computador que me facultaram, vou relatar mais detalhadamente os problemas que este último teve (abstenho-me de fazer o mesmo aos outros dois, pois tornaria demasiado extenso este e-mail).

Este computador conseguiu bater o recorde dos anteriores em quantidade, variedade e rapidez das avarias; foram quatro em três semanas.

O que seria admirável para qualquer empresa que tivesse o objectivo de perder os seus clientes, e anular qualquer hipótese de obter novos.

Logo ao segundo dia de utilização, a maquina começa por ter sucessivos kernel panic. O problema diagnosticado foi o módulo integrado AirPort. Sendo assim, o módulo é substituído. Esta reparação tem o mérito de conseguir manter o computador a funcionar por uma semana. Ao fim dessa semana, falha de novo o AirPort e também a SlotDrive. O computador sofre então uma segunda intervenção. Ao fim desta intervenção, que como todas, demorou o seu longo, e supostamente, devido tempo, levanto a máquina. Nesse mesmo dia, após algumas horas de utilização, a SlotDrive falha de novo.

Contacto então, novamente, a X, que tem acompanhado o meu processo e é-me pedido que devolva o iBook G4.

Desde então, passou-se um mês e três dias, que se juntam aos meses, que ao longo destes três anos, se tem acumulado e causado transtorno.

Pretendo então, com este e-mail, que toda esta situação seja resolvida de uma vez por todas.

Peço que me seja facultado um novo computador de substituição, e que este não seja, de modo algum, outro iBook.

Desejo continuar a utilizar a vossa plataforma, mas não me irei sujeitar a mais uma máquina que não garanta a fiabilidade que deve, ou seja, gostaria de dar uma oportunidade à vossa linha profissional, e portanto, sugiro um PowerBook G4 12.

Já descrevi toda esta situação ao vosso colaborador X, que me pediu que fizesse uma exposição à administração.

Procuro então uma resposta rápida e definitiva com este e-mail.

Para qualquer esclarecimento, o meu telemóvel é o X.

Cumprimentos,

"Eu"





Também, depois de tudo, merecia... :P

segunda-feira, abril 10

Ainda

Madredeus
Ainda


Vou dizendo
Certas coisas
Vou sabendo
Certas outras
São verdades
São procuras

Amizades
Aventuras
Quem alcança
Mora longe
Da mudança
Do seu nome
Alegria
Vã tristeza
Fantasia
Incerteza
São verdades
São procuras

Amizades
Aventuras
Quem avança
Guarda o amor
Guarda a esperança
Sem favor

Ainda
Ainda
Ainda
Ainda

domingo, abril 9

Precisamos de...



... um grande, colorido, e visível post it.
Um assim, que nos relembre o que é realmente importante.
Porque estão sempre a tentar que esqueçamos...

Mistura de Sensações

Desilusão

Avó – Em conversa.

“Eu”, sabes, este ano há uma vaga para a procissão. Não queres ir a carregar a cruz?

- Não avó, sou ateu, portanto, não irei.

*silêncio*

Dor

Padrinho – Depois de entregar o ramo à minha madrinha.

Olha, tens de arranjar uma namorada.

- Ai é? Então porquê.

Porque já tens 18 anos.

*silêncio*

Ódio

Directora de Turma / Professora de Física – Depois de eu ter errado num exercício.

Oh pá! Isto não é assim! Ou é uma coisa, ou é outra! Não pode ser as duas! Ou é paneleiro, ou é homem! Não pode ser as duas! Entendes-te agora?!


Desconhecidas - Num jantar de aniversário de uma amiga comum.

-Olá. Não se importam de apagar o cigarro?
“E porquê? Não o vamos apagar.”
-Porque me estão a incomodar a mim, e a “x” que está doente.

*Igronar – Silêncio - Fumo*

Descontracção

Ex-mensagem de voice-mail.

Está lá?
Ora viva!
A pessoa com quem você quer falar acabou de desligar o telemóvel quando se apercebeu que era !você! que estava aí desse lado!
Mas a justificação oficial é que ficou de repente sem bateria.
Deixe uma mensagem a seguir ao beep!
E ela liga-lhe quando lhe apetecer!
Erm..., quando voltar a ter bateria...

Eh pah! Não consigo mentir! O que é que querem? Não consigo mentir!

Compreensão

Parte de artigo do Out.com


You know your family never talks about you and your life, do they? And I said, no, they don’t.
(Tu sabes que a tua família nunca fala sobre ti ou sobre a tua vida, não sabes? E eu disse, não, não falam.

HA: So there’s more than one kind of closet.
(Então há mais do que um tipo de armário.)

JF: Yeah, even though they know it’s there…
(Sim, mesmo sabendo eles que és homossexual...)

HA: So being out isn’t necessarily being out. It can have very little meaning. They know, but they block it out.
(Então, assumires-te, não significa que exista à vontade perante a família. Pode ter muito pouco significado. Eles sabem, mas escondem esse facto e ignoram-no.)

JF: Yeah. I hate that feeling.
(Sim. Detesto esse sentimento.)

Esperança

Lido algures:

Lento. O corpo arde.
As gaivotas pontualizam o horizonte.
Brevemente o dia. Começa. Branco.
Onde ontem havia ontem, hoje nada.
Há uma imperceptível mudança eterna.
Perceber isto é sentir com os sentidos todos.


Comoção

Lido aqui:

Ao fundo uma parede laranja limitava a sua existência e esse sentimento era estranho. Que seria que o prendia áquele lugar se na realidade não existia mais nada ali para explorar, nenhuma novidade, nenhuma progressão? Sentia medo, mas esse medo era também irracional, como se fosse sentido por coisas irreais, inexistentes. Nos últimos dias existia uma ansiedade crescente em si, algo que não tinha causa aparente, que se limitava a estar ali no seu interior. Claro que havia também o vazio, mas esse não era perceptível pela sua habituação à existência deste elemento na sua alma, tornara-se rotineiro o imenso espaço em branco que sentia todos os dias desde que existia enquanto ser. Se lhe perguntassem acerca os seus sonhos não saberia responder, há muito que os sabia mortos mas isso era algo que simplesmente não se podia afirmar, estava errado! Errado? Tantas vezes se questionara sobre esta simples palavra para nunca perceber a sua aplicabilidade. Inútil para si o seu significado. E assim, mantinha o dia a dia aborrecido da sua vida, sabendo que esperava sempre um milagre por acontecer (que nunca aconteceria), por pessoas que há muito se extiguiram (e que também já pouco lhe diziam), por todas as coisas pelas quais sempre lutou mas nunca alcançou. Cumprira quase todos os objectivos propostos, sem nunca se aperceber que estes nunca tinham sido impostos por si... aguarda pelo dia de acordar do sonho em que, por breves instantes que fosse, controlasse um pouco mais o seu destino e tudo aquilo que acontecia à sua volta. Fora abandonado muito antes de nascer enquanto ser individual, apenas amado até ao dia em que, por motivos inexplicáveis, decidira usar a mente para pensar sem se subjugar aos desejos daqueles que diziam amá-lo tanto quanto à sua própria vida...


E tantas mais...